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  • Vinicius Vital

Caso Flordelis: ausência de réu em tribunal provoca atraso no início do segundo dia de julgamento

Durante a sessão, a ex-deputada e os quatro réus permanecem, a maior parte do tempo, de cabeça baixa

Julgamento de Flordelis acusada de matar o marido com ajuda dos filhos Pedro Ivo/Agência O DIA

Rio - O segundo dia de julgamento de Flordelis e mais quatro réus pela morte do pastor Anderson do Carmo iniciou com uma hora e meia de atraso, por volta das 10h30, desta terça-feira (8). Isso porque um dos acusados, André Luiz de Oliveiro, filho afetivo da pastora, não havia sido listado e precisou ser buscado na penitenciária para início da sessão. Além deles, também serão julgados a filha biológica Simone dos Santos Rodrigues; a neta, Rayane dos Santos Oliveira; e Marzy Teixeira da Silva, também filha adotiva. Procurada, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que o custodiado André Luiz já foi apresentado ao Fórum de Niterói, e que o motivo do atraso do seu deslocamento está sendo apurado. André Luiz passou a noite na Cadeia Pública Patrícia Acioli, em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Os outros presos vieram do Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.

Durante a audiência, Flordelis e os réus estão com as mesmas roupas de ontem, blusa branca e calça jeans. Eles estão, a maior parte do tempo, de cabeça baixa. A primeira testemunha de acusação é o inspetor da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), Tiago Vaz de Souza, que atuou nas investigações quando o delegado Allan Duarte assumiu o caso.

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Em depoimento, o inspetor afirmou que o pastor sabia dos planos para sua morte e chegou a realizar uma reunião com os membros da família para resolver possíveis insatisfações. Em que, uma das principais queixas eram relativas ao controle financeiro de Anderson. Na oitiva, Tiago pontuou uma situação em que o cancelamento de planos de saúde de filhos que já teriam como se sustentar provocou a insatisfação dos mais próximos de Flordelis que tinham a assistência médica.


Outra ocasião teria sido relatada por Lucas Cézar dos Santos, já condenado por envolvimento com o crime, durante as investigações, em que Rayane estaria insatisfeita com o salário do marido, nomeado no gabinete de Flordelis, quando ela ainda ocupava cargo de deputada federal. Por conta de uma suposta rachadinha, o promessa de pagamento de R$ 15 mil ficava em cerca de R$ 2,5 mil. A ré acreditaria que com a morte do pastor, a remuneração seria melhor.

Ainda de acordo com o depoimento da testemunha, a família era dividida em duas "facções", sendo uma delas dos parentes mais próximos de Flordelis, que se queixavam do controle rígido de Anderson, e dos filhos e netos mais ligados ao pastor, que apresentavam descontentamento com os privilégios com que o outro grupo era tratado pela ex-parlamentar.

Entre os familiares mais ligados à vítima, estão Alexsander Felipe Matos Mendes, o Luan, e Daniel dos Santos de Souza. Segundo o relato do inspetor, durante as investigações da morte do pastor, Flordelis ofereceu uma passagem para o primeiro ir aos Estados Unidos, o que sempre teria sido uma vontade dele, e dinheiro para o segundo, para manter os dois afastados das investigações, porque eles vinham colaborando com as autoridades. A testemunha não soube precisar se as ofertas chegaram a ser pagas.

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O policial civil encerrou seu depoimento às 12h40, afirmando que entre as conversas dos integrantes da família analisadas, não há relatos de abusos sexuais por parte do pastor Anderson.

Em seguida, Alexsander Felipe Matos Mendes, o Luan, iniciou seu depoimento por videoconferência às 13h20. Ele alegou que não quis ser ouvido na presença dos réus, pois tem sentimentos e não sabe como seria a reação.

Primeiro dia

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Já foram ouvidos durante o primeiro dia de julgamento a delegada Bárbara Lomba, que iniciou as investigações quando era titular da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG), o delegado Allan Duarte, responsável pela conclusão do inquérito e Regiane Ramos Cupti Rabello, chefe de Lucas dos Santos de Souza, um dos filhos adotivos da pastora, já condenado por participação no crime. Outras 26 testemunhas de acusação e defesa, algumas delas por vídeo conferência, ainda serão ouvidas. A previsão é que o julgamento se estenda por mais de um dia.

A primeira testemunha a ser ouvida foi a delegada Bárbara Lomba, que pontuou que a relação familiar dos réus era conturbada e que havia grupos entre os parentes, sendo os filhos biológicos e os mais próximos à Flordelis privilegiados, inclusive, na qualidade da alimentação, o que provocava insatisfação entre os membros.

Já o delegado Allan Duarte, disse não ter dúvidas de que Flordelis premeditou o assassinato juntamente com os filhos. "Depois de investigar o fato, eu não tenho dúvida que, se a justiça for feita, a situação deles é a de condenação. Foi um crime premeditado, com várias tentativas, das mais diversas formas, incluindo envenenamento e contratação de pistoleiros. Para mim ela é a pessoa mais perigosa dessa organização criminosa familiar", disse o delegado na área externa do Tribunal do Júri.

A terceira testemunha, Regiane Ramos Cupti Rabello, chefe de Lucas dos Santos de Souza, um dos filhos adotivos da pastora, já condenado por participação no crime, contou que Flordelis a considerava uma "pedra em seu sapato" por criar uma barreira entre Lucas e a ex-deputada. "Eles [filhos da ex-parlamentar] estavam com muita raiva porque a Flordelis não podia visitar o Lucas. E eu era essa barreira, o calo no sapato deles. Na verdade, é uma família perigosa. Hoje, quando sair daqui, nem sei o que os netos dela vão fazer comigo. É processo, é tudo. Essa bomba é mais uma coisa. Daqui a pouco vão estar me matando como mataram o pastor. Eu até repensei vir depor, porque essa defesa da Flordelis está me coagindo", desabafou na frente da juíz.

Acusações Flordelis é acusada de ser a mandante do crime e poderá responder por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada. Já a filha biológica, Simone dos Santos Rodrigues, e os filhos adotivos Marzy Teixeira da Silva e André Luiz de Oliveira poderão responder por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e associação criminosa armada. Enquanto, a neta Rayane dos Santos Oliveira, por homicídio triplamente qualificado e associação criminosa armada.


fonte O DIA

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