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  • Vinicius Vital

Desaparecimento de motoboy mobiliza o COMPLEXO DO ALEMÃO RJ - ONDA CERTA FM

Por O DIA

Álbum de família

O Complexo da Maré, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, está mobilizado em busca do paradeiro do motoboy Rodrigo do Nascimento de Moraes, de 28 anos. Ele desapareceu no último dia 23 de agosto, após sair de casa, em sua motocicleta, para fazer uma entrega. A procura pelo motoboy, que já perdura 12 dias, mobiliza familiares e amigos da comunidade. “São doze dias de desespero e dor. Ele é muito querido pelos vizinhos. Um rapaz trabalhador. Têm centenas de pessoas nos ajudando. Não vamos parar enquanto não achá-lo”, desabafa a mulher dele, a comerciária Pâmela Mistaldo Araújo, de 20 anos. O casal tem uma filha de 1 ano.


Álbum de família

Segundo a família, quando desapareceu, Rodrigo usava calçajeans, casaco e tênis pretos. “Na última vez que nos falamos, ele deixou a nossa filha comigo, no trabalho, para fazer uma entrega. Disse que retornaria em 20 minutos, mas nunca voltou. Rodrigo prestava serviços para uma empresa particular e também fazia trabalhos como mototáxi. Ele comprou a motocicleta em dezembro do ano passado para trabalhar. Nunca saiu de casa ou ficou longe sem avisar. Era um pai exemplar e participativo. Minha filhinha fica chamando ele o tempo todo. É muito triste isso”, disse Pâmela.

Buscas – Familiares informaram que após o desaparecimento de Rodrigo houve uma grande mobilização nas redes sociais. O cartaz foi exposto em diversos pontos da comunidade. “Recebemos diversas denúncias anônimas. Algumas informando que ele estava vivo. Outras dizendo que foi morto e o corpo enterrado num morro. Chegamos a ir ao local, mas nada foi encontrado. Enquanto não encontrarmos vestígios dele, não podemos desistir”, ressalta Pâmela.

O caso foi registrado na 21ª DP (Bonsucesso) e encaminhado à Delegacia de Descobertas de Paradeiros (DDPA), no Jacaré, que investiga o sumiço. O rastreamento do aparelho celular do motoboy apontou sua última localização na Freguesia, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio. Foram feitas buscas no local, mas nada foi encontrado.

“Sem recursos e amparo do estado, nos tornamos detetives”

Ninguém melhor para falar da angústia das buscas a desaparecidos do que as mães. Presidente da Instituição Mães Virtuosas do Brasil, entidade que reúne mães de desaparecidos, Luciene Torres da Silva transformou seu luto em militância. Desde 2009, ela procura o paradeiro da filha, que desapareceu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. “Sei bem a dor que a família desse motoboy está passando. Em muitos casos, sobretudo, nas comunidades do Rio e na Baixada, ficamos sem recursos e amparo do estado, e nos tornamos detetives. Temos que agir por conta própria, contra tudo e todos”, ressalta Luciene. Desaparecimentos Forçados

De janeiro a julho deste ano já foram registrados 1.859 desaparecimentos de pessoas no Estado do Rio de Janeiro, conforme dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Segundo o mapa estatístico, regiões como Zona Oeste e Baixada Fluminense, onde predominam as milícias, apresentaram aumento de casos, somando 949 registros, números maiores do que todo o resto do estado, que anotou 910 sumiços.

Segundo especialistas, desaparecimentos de moradores de comunidades, na zona norte, oeste do Rio e Baixada Fluminense costumam adensar a estatística de desaparecimentos forçados, definido pela Organização das Nações Unidas (ONU) “como a privação de liberdade executada por agentes do Estado ou por pessoas e grupos agindo com sua cumplicidade, seguida da recusa em reconhecer que o fato aconteceu e da negação em informar o paradeiro ou destino da pessoa”.

Todo dia 30 de agosto, a ONU relembra os casos para conscientizar as pessoas em todo o mundo sobre os desaparecimentos forçados, crime que ainda não tem tipificação no código penal brasileiro. “Reiteramos e defendemos a caracterização do crime de desaparecimento forçado de pessoas como hediondo e caracterizado como tal no código penal. Sem essa caracterização e inclusão na lei teremos maiores dificuldades para as ações do Estado para enfrentar essa chaga que atinge os mais pobres, a população negra e os moradores de periferias”, ressalta o coordenador executivo do Fórum Grita Baixada. Adriano de Araújo.


Álbum de família

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