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  • Vinicius Vital

Inquérito responsabiliza três policiais pelo desvio de armas de depósito da PM do RJ - ONDA CERTA FM

Por EXTRA

Uma investigação interna da PM do Rio descobriu um esquema de desvio de armas, peças e munição dentro do Centro de Suprimento de Material (CSM) da corporação, em Niterói. O Inquérito Policial Militar (IPM) investiga a prática da “canibalização” — jargão militar para a troca de peças novas por usadas, seguida do desvio das partes em melhor estado — de pelo menos nove fuzis da PM. Três policias vão responder pelos desvios, entre eles o tenente-coronel Eduardo Fernandes Muniz Lessa, então chefe do CSM.

O inquérito começou em 2015 após o sumiço de 11 fuzis, três metralhadoras, três espingardas, três rifles, uma pistola, dois revólveres e munição de vários calibres da unidade. O desaparecimento foi descoberto numa vistoria feita no CSM — onde são armazenadas as armas novas que a corporação compra e para onde é enviado, após a perícia, o armamento da PM apreendido em ocorrências policiais.




A partir dos depoimentos de outros policiais que trabalhavam no local, a investigação descobriu que, durante o comando do tenente-coronel Lessa, a reserva de material bélico do CSM só podia ser acessada pelo oficial e por seus dois homens de confiança: o capitão Antônio Jorge Pereira da Silva e o sargento Alexsandro da Silva. Só os três tinham a chave para entrar no setor, considerado restrito aos demais. A mando do tenente-coronel, em 29 de janeiro de 2014, o sargento Silva pegou as 23 armas que são alvo do IPM no depósito do CSM e as levou para o setor restrito. Esse foi o último registro das armas na PM. Até hoje, o armamento não foi recuperado.

À época, havia outras armas da corporação na sala reservada, inclusive fuzis de diversos batalhões em manutenção. A suspeita de investigadores é que as melhores peças tenham sido trocadas por outras, já desgastadas, das armas levadas pelo sargento. As peças novas teriam, então, sido desviadas.


Eduardo Lessa, o tenente-coronel alvo do IPM Foto: Reprodução


Foto Reprodução

Sargento já era ficha suja

Quando o tenente-coronel Lessa colocou o sargento Silva como responsável pela reserva de material bélico do CSM, seu homem de confiança já havia sido alvo de uma investigação por fraudes em registros de armas de PMs. Um ano antes do sumiço das armas, o praça era lotado no depósito de armas do 4º BPM (São Cristóvão) e foi investigado por receber propina para adulterar documentos e permitir que agentes pudessem adquirir armas de fogo ilegalmente.

A investigação não conseguiu provas de que o sargento recebeu dinheiro para cometer as fraudes. No entanto, a PM concluiu que Alexsandro da Silva fez os processos fraudulentos que culminaram na publicação, pela corporação, da permissão para nove policiais adquirirem armas.

O IPM sobre o desvio das armas deve ser remetido ao MP em breve. Além do tenente-coronel Eduardo Lessa, o sargento Alexsandro da Silva e o capitão Antônio Jorge Pereira da Silva foram indiciados. Investigadores calculam o montante que os acusados terão que repor aos cofres públicos. Procurada, a PM informou que os processos para expulsão dos oficiais estão tramitando na Justiça e o do sargento está em andamento na corporação. As defesas dos policiais não foram localizadas.

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